A Citroën confirmou o retorno do 2CV como um carro elétrico urbano com apelo de preço, com estreia marcada para o Salão de Paris.
O hatch terá preço inicial abaixo de 15.000 euros (cerca de R$ 91.500, pela conversão direta) e utilizará tecnologia da chinesa Leapmotor, parceira da Stellantis, para reduzir custos de desenvolvimento e produção.
O novo 2CV fará parte da estratégia da Stellantis de ampliar a oferta de veículos elétricos acessíveis na Europa. Para isso, estreará a arquitetura dedicada E-Car, distinta da plataforma Smart Car usada pelo atual Citroën C3. A montagem ficará concentrada na fábrica de Pomigliano d’Arco, na Itália.
O projeto atenderá aos requisitos de uma futura regulamentação europeia para subcompactos de até 4,20 m de comprimento, condição que garante acesso a subsídios no continente. A carroceria deverá ter menos de 4 metros, com aproveitamento de espaço priorizado por um teto mais alto.
Bateria e design
Para viabilizar o preço estimado, o 2CV deve adotar baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP), conhecidas por custo menor e robustez. A proposta privilegia eficiência e uso urbano, em vez de desempenho. O conjunto pode espelhar números do futuro rival Renault Twingo; se isso se confirmar, o 2CV adotaria um pacote semelhante ao do concorrente, com bateria na casa de 27,5 kWh, motor elétrico de cerca de 80 cv e alcance próximo de 262 km. Esses valores não estão confirmados pela Citroën ainda.
O desenvolvimento de estilo, liderado por Pierre Leclercq, busca reinterpretar o ícone sem recorrer a uma cópia literal. Imagens divulgadas mostram faróis redondos proeminentes nos para-lamas e as ranhuras tradicionais no capô, elementos que remetem ao clássico. Apesar do porte contido, a cabine tende a ser ampla para a categoria graças ao teto elevado.
A primeira aparição do 2CV elétrico acontecerá no Salão de Paris. A previsão de lançamento comercial é para 2028, dentro do plano da Stellantis de ampliar a oferta de elétricos acessíveis na Europa.
O nome 2CV resgata um dos carros mais emblemáticos da Citroën. Lançado em 1948, o original foi concebido para ser barato, simples de reparar e prático para o cotidiano — missão que o tornou um fenômeno duradouro até 1990, com mais de cinco milhões de unidades produzidas globalmente.
A nova iteração elétrica pretende recuperar o espírito de acessibilidade e funcionalidade, agora aplicado à mobilidade de emissão zero.