O Brasil ultrapassou em setembro a marca de 1 milhão de veículos leves eletrificados emplacados desde o início da série histórica da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), que começou em janeiro de 2012. Com 53.126 registros no mês, o acumulado chegou a 1.003.310 unidades.
A velocidade de crescimento aumentou significativamente nos últimos anos. O mercado levou 13 anos e sete meses para alcançar os primeiros 500 mil veículos eletrificados, mas precisou de apenas 14 meses para dobrar esse volume e chegar ao segundo meio milhão.
A composição das vendas também mudou. Em setembro, os modelos 100% elétricos e os híbridos plug-in somaram 42.448 emplacamentos, o equivalente a 79,9% do mercado de eletrificados. Os veículos elétricos a bateria lideraram individualmente, com 22.246 unidades e participação de 41,9%, enquanto os híbridos plug-in registraram 20.202 unidades, ou 38%.
Os híbridos convencionais completaram o resultado do mês, mas passaram a representar uma parcela menor dentro de um mercado que cresceu e se diversificou. A ABVE considera como eletrificados os veículos capazes de movimentar as rodas com eletricidade, incluindo elétricos puros, híbridos plug-in, híbridos convencionais e híbridos flex.
Híbridos plug-in ganham espaço
Entre os híbridos, os modelos com recarga externa assumiram a liderança. Em 2022, foram registrados 11.503 híbridos plug-in, contra 21.046 híbridos flex e 1.999 híbridos convencionais. Já nos nove primeiros meses de 2026, os PHEV acumulam 137.637 unidades, superando com folga os 101.364 emplacamentos de todo o ano de 2025.
No recorte de setembro, os híbridos flex somaram 5.786 unidades e os híbridos convencionais, 4.892. Juntos, os dois grupos chegaram a 10.678 veículos, alta de 114,5% em relação ao mesmo mês de 2025. Apesar do avanço, a participação dessas tecnologias diminuiu diante do crescimento mais acelerado dos modelos plug-in.
A expansão dos híbridos com tomada ganhou força a partir de 2023, acompanhando o aumento da oferta de SUVs equipados com esse tipo de sistema. Em quatro anos, o volume anual de PHEV passou de pouco mais de 11 mil unidades para um patamar superior a 20 mil registros em um único mês.
Elétricos puros aceleram em 2026
Os veículos 100% elétricos foram os principais responsáveis pela mudança de escala do mercado. Depois de somarem 8.460 emplacamentos em todo o ano de 2022, os BEV chegaram a 19.310 unidades em 2023, 61.615 em 2024 e 80.178 em 2025.
Nos nove primeiros meses de 2026, o segmento já acumula 165.820 unidades, mais que o dobro do resultado de todo o ano passado e quase 20 vezes o volume registrado em 2022. Apenas em setembro, foram 22.246 elétricos puros, número 172,3% superior ao do mesmo mês de 2025.
O resultado de setembro representou queda de 18,1% na comparação com agosto, mas ainda ficou em um nível elevado diante do histórico recente. A expansão tem sido acompanhada pela chegada de modelos menores e mais acessíveis, que ampliaram a presença dos elétricos em faixas de mercado antes concentradas nos carros a combustão.
Os micro-híbridos ficaram fora da soma principal desde janeiro de 2025, pois não conseguem tracionar as rodas exclusivamente com eletricidade. A categoria passou a ser acompanhada separadamente pela ABVE e registrou 51.692 unidades nos nove primeiros meses de 2026, sendo 8.869 apenas em setembro. Se fossem incluídos, o mercado teria alcançado 61.995 veículos com algum grau de eletrificação no mês, equivalentes a 23,1% dos veículos leves emplacados no país.