VP da BYD: recuo da Europa sobre fim dos motores a combustão é um tiro no pé

A vice-presidente da BYD, Stella Li, disse que o recuo da Europa em relação as regras que determinavam o fim dos motores à combustão até 2035 vai acabar prejudicando as próprias montadoras europeas.

Isso vai acontecer, segundo ela, porque as montadoras vão continuar investindo em duas tecnologias diferentes (a combustão e a eletrificação), o que fará com que elas não dominem nenhuma das duas plenamente.

“A União Europeia impulsiona o Pacto Verde e depois recua, o que afeta diretamente o planejamento de pesquisa e desenvolvimento. Como competir com uma empresa que acredita apenas em uma direção?” disse ela numa coletiva de imprensa em Londres.

“Nunca há dinheiro suficiente para apostar em dois caminhos ao mesmo tempo, e isso impede que qualquer área seja dominada de fato.”

Li disse ainda que a estratégia da BYD é clara e não vai mudar por conta do ambiente regulatório.

“Nossa abordagem, dos carros pequenos aos grandes, é oferecer veículos elétricos e híbridos DM-i. Sempre acreditamos em uma única direção,” disse a executiva.
Li acrescentou também que não vê a proibição como um obstáculo ao plano de crescimento da montadora chinesa.

“Não importa pra gente as revisões do Pacto Verde nem o adiamento da proibição dos carros a combustão. Podemos usar os híbridos plug-in DM-i para substituir esses veículos com desempenho muito melhor, consumo significativamente menor e tecnologia inteligente.”

O que aconteceu?

Recentemente, a União Europeia anunciou uma flexibilização da Lei que obriga o fim dos carros a combustão até 2035, e que vinha estimulando as montadoras locais a acelerarem os investimentos na mobilidade elétrica.

Essa lei havia entrado em vigor em 2023 e exigia que 100% da produção de novos carros e vans tivesse emissões zero a partir de 2035, na prática obrigado que todos os novos carros fossem elétricos.

Agora, a UE decidiu reduzir esse percentual para 90%, depois de uma forte pressão da indústria automobilística e, principalmente, da Alemanha e da Itália, países sede de grandes montadoras como a Fiat e Volkswagen.

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