A União Europeia deve anunciar nesta semana uma flexibilização da Lei que obriga o fim dos carros a combustão até 2035, e que vinha estimulando as montadoras locais a acelerarem os investimentos na mobilidade elétrica.
A informação é da Bloomberg, que citou fontes a par do assunto e disse que um anúncio neste sentido deve acontecer já na próxima terça-feira.
Segundo a Bloomberg, a medida é uma forma de tentar dar volume para as montadoras locais que estão em dificuldade, mas especialistas alertam que ela pode gerar um efeito negativo para as próprias montadoras, que ficarão presas numa tecnologia, perdendo ainda mais espaço para empresas como a Tesla e para as chinesas, como a BYD.
A Lei que estava em vigor proibia a fabricação de novos carros a combustão a partir de 2035. O que está sendo discutindo é flexibilizar essa regra por mais 5 anos, estendendo o prazo para 2040, ou até retirar completamente a obrigação, o que seria um retrocesso gigantesco.
Na semana passada, o chanceler da Alemanha Friedrich Merz deu uma entrevista coletiva dizendo que “só podemos fazer algo pela proteção climática se tivermos um setor competitivo.”
“Precisamos corrigir as condições na Europa o mais rápido possível para que esse setor na Europa tenha futuro.”
A Alemanha é sede de algumas das principais montadoras do mundo, incluindo a Volkswagen, Mercedes e BMW.
Segundo a Bloomberg, o recuo da União Europeia é resultado de um intenso lobby de empresas como a Stellantis (dona de marcas como Fiat, Citroen e Jeep) e a Mercedes, que estão buscando diminuir o risco de multas que poderiam ultrapassar os US$ 1,2 bilhão nos próximos anos.
Jos Delbek, professor do Instituto Universitário Europeu e ex-funcionário da UE para assuntos climáticos, disse à Bloomberg que o que está acontecendo é um alerta para o setor.
“Pode ser necessária alguma flexibilidade por todos os bons motivos, mas ela deve ser temporária; caso contrário, correremos o risco de não atingir as metas climáticas e perder a corrida tecnológica.”




