O Brasil está prestes a dar um passo importante na infraestrutura para carros elétricos. A empresa Esquina do Futuro confirmou a instalação do primeiro carregador de 480 kW do país, com início de operação previsto para a primeira quinzena de março de 2026.
O equipamento será instalado em Porto Alegre e faz parte de um investimento de R$ 1,5 milhão, realizado em parceria com as empresas WEG e Tupi.
Na prática, trata-se de um carregador muito mais potente do que qualquer outro disponível hoje no país. Ele pertence à categoria conhecida como HPC (High Power Charger), usada nos mercados mais avançados de mobilidade elétrica.
Mais do que um anúncio simbólico, o projeto marca o início de uma nova fase para a recarga de veículos elétricos no Brasil.
O que é um carregador de 480 kW

Para entender a importância desse avanço, é preciso explicar o que significa “480 kW”. Esse número indica a potência máxima que o carregador pode entregar ao veículo durante a recarga. Quanto maior a potência, menor tende a ser o tempo parado.
Hoje, a maioria dos carregadores rápidos no Brasil opera entre 50 kW e 150 kW. Isso é suficiente para muitos carros, mas já não acompanha a evolução dos modelos mais modernos, que foram projetados para aceitar recargas muito mais rápidas.
Em mercados como Europa, China e Estados Unidos, já existem estações capazes de fornecer 300 kW ou mais, permitindo recargas muito próximas à experiência de abastecer um carro a combustão.
Com a chegada do carregador de 480 kW, o Brasil passa a entrar nesse mesmo patamar técnico.
Por que os elétricos no Brasil recarregam devagar
Um ponto pouco conhecido pelo público é que muitos carros elétricos vendidos no Brasil já suportam potências muito maiores do que a rede oferece. Ou seja, o limite não está no carro, mas na infraestrutura.
Na prática, isso significa que veículos capazes de recarregar muito rápido acabam operando “capados”, usando apenas parte do seu potencial. O resultado são paradas mais longas do que o necessário, especialmente em viagens.
O novo carregador de 480 kW começa a eliminar esse gargalo. Pela primeira vez, a infraestrutura brasileira passa a ser compatível com os veículos elétricos mais avançados do mundo.
Isso representa uma inversão importante: em vez de o carro se adaptar à rede, a rede começa a correr atrás da tecnologia.
Recarga em minutos
Segundo a Esquina do Futuro, o novo carregador poderá atender até quatro veículos ao mesmo tempo, com um sistema inteligente que distribui a potência conforme a necessidade de cada carro.
Em condições ideais, a empresa estima que seja possível realizar uma recarga quase completa em cerca de 15 minutos — algo hoje inviável na maior parte das rodovias brasileiras.
Esse tipo de tempo muda completamente a experiência do usuário. A recarga deixa de ser vista como um grande obstáculo e passa a se encaixar melhor em paradas naturais de viagem, como refeições ou descanso.
Para quem ainda associa carro elétrico a longas esperas, esse avanço ajuda a quebrar um dos principais mitos da eletrificação.
O Complexo do Futuro
O carregador de 480 kW fará parte do chamado Complexo do Futuro, um espaço pensado para ir além da simples recarga. O local contará com áreas de descanso, banheiros, Wi-Fi, conveniência e espaços para exposição de veículos e novas tecnologias.
A ideia é aproximar o conceito brasileiro do que já existe em hubs de recarga internacionais, onde o tempo de parada é aproveitado de forma mais confortável e funcional.
Segundo a empresa, a parceria com WEG e Tupi permitiu alcançar índices de disponibilidade acima de 99%, um nível elevado mesmo para padrões internacionais.
Isso é relevante porque, além de potência, confiabilidade é essencial para que motoristas confiem na rede.
Expansão da rede
Além do carregador de 480 kW, a Esquina do Futuro já adquiriu 17 novos carregadores rápidos e ultrarrápidos para ampliar sua atuação. Ainda em 2025, estão previstas novas unidades em Santa Catarina, especialmente em regiões de alta demanda sazonal.
Atualmente, a empresa conta com 25 estações em operação e pretende chegar a 40 pontos até o fim do ano, com investimentos que somam cerca de R$ 10 milhões.
Para 2026, o plano é ainda mais ambicioso: ultrapassar 150 pontos de recarga rápida e ultrarrápida, incluindo a chegada ao estado de São Paulo.


