Como funciona o carregamento ultrarrápido da BYD: 400 km em 5 minutos

Uma das maiores barreiras percebidas para a adoção em massa dos carros elétricos é a autonomia dos veículos e o tempo que eles levam para recarregar. Nas estações rápidas, a maioria dos veículos precisa de pelo menos 30 minutos para ganhar uma autonomia considerável — muito mais do que um veículo a combustão leva para abastecer nos postos de gasolina.

A chinesa BYD quer mudar isso com uma tecnologia de carregamento verdadeiramente ultrarrápida, que promete adicionar 400 km de autonomia aos carros elétricos com apenas 5 minutos de recarga, tornando a experiência de carregamento dos EVs quase equivalente a de um carro a combustão.

Mas como essa tecnologia funciona? Ela é realmente viável? E vai chegar ao Brasil?

Como a tecnologia funciona

A chave para o carregamento ultrarrápido da BYD é um conjunto de inovações integradas:

1) Mega potência de carregamento (1 MW)

A nova tecnologia da BYD utiliza carregadores com potência de até 1 megawatt (1.000 kW) — cerca do dobro da maior potência atualmente oferecida pelos supercarregadores mais avançados de outras marcas.

Essa potência enorme exige:

  • alta tensão (≈1.000 V)
  • correntes muito elevadas (≈1.000 A)
  • sistemas de gerenciamento e resfriamento altamente eficientes

Tudo isso junto, que obviamente não é algo simples de se fazer, permite que a bateria receba energia em taxas extraordinárias.

Super e-Platform

A BYD não chama essa tecnologia apenas de “carregamento rápido” — já que ela faz parte de uma nova arquitetura de veículos chamada Super e-Platform, que integra:

  • uma bateria projetada para aceitar altas potências de entrada
  • sistemas de gerenciamento eletrônico otimizados
  • motores e componentes desenhados para suportar altas taxas de carga

Com essa plataforma, a capacidade de carga pode atingir níveis equivalentes a aproximadamente 2 km de autonomia por segundo.

“400 km em 5 minutos”?

No anúncio da tecnologia, a BYD disse que será possível adicionar 400 km de autonomia a um carro elétrico com apenas 5 minutos de cargas, o que acabaria com a ansiedade de autonomia que muitos motoristas têm, ajudando a disseminar os carros elétricos pelo mundo.

Isso acontece porque:

  • a bateria aceita altas taxas de energia por um período curto;
  • o veículo e o carregador coordenam transferência de energia muito rapidamente;
  • a infraestrutura ao redor do ponto de recarga suporta esse fluxo intenso sem queda de performance.

Importante destacar que essa estimativa de autonomia utiliza o ciclo de consumo CLTC, um padrão chinês que tende a ser mais otimista do que ciclos usados em outros mercados — como o Inmetro.

Outras recargas rápidas

A tecnologia da BYD será uma enorme quebra de paradigma, já que os carregadores rápidos hoje não chegam nem perto dessa velocidade.

  • Carregadores rápidos atuais comuns costumam entregar entre 150 kW e 350 kW, com tempos de 10–30 minutos para uma recarga significativa.
  • Superchargers high-end (como os da Tesla) alcançam cerca de 500 kW em seus pontos mais potentes, ainda longe do patamar de 1 MW.
  • A solução da BYD com 1 MW praticamente dobra a potência máxima de muitos sistemas existentes.

Isso muda a conversa sobre “tempo de recarga vs tempo de abastecimento” porque a ideia é que, em poucos minutos, a experiência de recarregar EVs se aproxime da conveniência de um posto tradicional.

Vai chegar ao Brasil?

No anúncio da tecnologia, a BYD disse que pretende instalar cerca de 4000 mil postos com carregadores ultrarrápidos, no mundo. Naturalmente, ela vai começar pela China, mas a companhia já disse que tem planos de instalar esses postos também na Europa e no Brasil. Essa rede será batizada de Flash Charging.

Este sistema também utiliza:

  • resfriamento avançado (líquido)
  • mecanismos para reduzir desgaste da bateria
  • conectores mais leves e ergonômicos (em algumas versões) para facilitar o uso.

Limitações e o que ainda falta

Apesar de promissor, esse tipo de carregamento ainda tem alguns pontos a considerar antes de virar algo comum:

  • Compatibilidade com veículos: só carros projetados para essas potências conseguem aproveitar totalmente o sistema.
  • Rede de infraestrutura: será necessário instalar muitos pontos de carga ultrarrápida para que isso faça sentido no uso diário.
  • Padrões e segurança: altas potências exigem protocolos de segurança e gerenciamento térmico robustos, além de investimentos robustos.

Por exemplo, mesmo com o carregador de 1 MW, o sistema precisa coordenar cuidados para proteger a bateria e evitar degradação excessiva ao longo do tempo — algo que ainda está sendo testado em larga escala.

O impacto na adoção de EVs

Se essa tecnologia de carregamento ultrarrápido se tornar mais disponível, ela pode reduzir significativamente a “ansiedade de autonomia” — um dos principais freios à adoção de carros elétricos.

E mais:

  • tempos de recarga próximos ao de um abastecimento tradicional encurtam as barreiras psicológicas de abandono dos combustíveis fósseis;
  • viagens longas em EVs se tornam mais viáveis;
  • a experiência do dia a dia de proprietários elétricos se aproxima cada vez mais da conveniência que muitos ainda esperam.

A tecnologia de carregamento ultrarrápido da BYD, com o potencial de adicionar 400 km de autonomia em apenas 5 minutos, representa um avanço tecnológico significativo na indústria de carros elétricos. Embora ainda esteja em fase de implantação em larga escala, essa abordagem promete reduzir tempos de recarga a níveis comparáveis ao abastecimento de um carro a combustão, o que pode acelerar a transição para veículos elétricos em mercados como o Brasil.

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